Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

"Minh'alma é a Princesa Desalento,

Como um Poeta lhe chamou, um dia.

É magoada, e pálida, e sombria,

Como soluços trágicos do vento!

 

É frágil como o sonho dum momento;

Soturna como preces de agonia,

Vive do riso duma boca fria:

Minh'alma é a Princesa Desalento...

 

Altas horas da noite ela vagueia...

E ao luar suavíssimo, que anseia,

Põe-se a falar de tanta coisa morta!

 

O luar ouve a minh'alma, ajoelhado,

E vai traçar, fantástico e gelado,

A sombra de uma cruz à tua porta..."

 

 

Sonetos; Florbela Espanca

publicado por 994marie1904 às 02:16