Sábado, 19 de Junho de 2010

Estou em pleno autocarro, apetece-me falar com alguém mas por qualquer razão nada do que diga será suficiente... e não sei o que escrever... um vazio toma conta de mim como um grande abismo que se formou ao longo dos anos...Por negligência ou ignorância deixei o vazio do início tornar-se no abismo de hoje... E há dias em que esse abismo parece tão longe e parece que nada me vai fazer lá voltar, a maioria das vezes consigo mantê-lo longe num equilíbrio (im)perfeito... Este equilíbrio é tão ténue que nos momentos de fraqueza eu volto a cair nos sentimentos contidos, nas verdades camufladas e nas lágrimas eufemisadas pela apatia que me domina...e cada erro é um metro a descer com cada vitória a valer tão pouco... Hoje disseram-me em conversa: ao menos quando estou a dormir ninguém me chateia!... Pois eu "sou prisioneira de mim própria e por vezes meu pior inimigo"... e há momentos em que ninguém é suficiente, o silêncio torna-se ensurdecedor e a minha cabeça, por instantes, que não são tão breves quanto gostaria, suporta todo um mundo que a faz latejar como se a qualquer momento fosse explodir de tão cheia! e de tão vazia... Todo o corpo trabalha mas não há resposta por parte do ser racional que se recusa a tomar conta da vida... mas no fundo tudo trabalha, e os pensamentos não param de aparecer e os sentimentos fluem desde a repulsa ao ódio, desde a saudade à indiferença, desde o amor à amizade, desde o carinho à paixão... e tudo quanto me liberta acaba, e tudo quanto me prende retorna sempre com amarras mais fortes e mais densas! E sempre que caio me levanto mas começo a não ter ossos com que me sustentar... e começo a não ter força para me aguentar, começo a não ter chão a que me apoiar... começo a ser apenas um fragmento de tudo o que prometia ser... e tudo o que almejo conquistar se perde na impossibilidade do ser que não é todo... Tem dias em que mesmo no autocarro me perco em pensamentos infundados e estradas que pertencem à mente... até quando divago tenho a sensação de não saber o que sou ou a que destino pertenço ou ainda em que realidade me encontro... e tudo se resume a um banco de autocarro que todos os dias faz a "travessia" de Lisboa a Vialonga...

publicado por 994marie1904 às 19:43


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